Carlos Bolsonaro prepara mudança para Santa Catarina e mira vaga no Senado em 2026


Movimentação do vereador carioca reforça estratégia do PL de ampliar influência no Sul e pode redefinir alianças na reeleição do governador Jorginho Mello

O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL-RJ) iniciou articulações para transferir seu domicílio eleitoral para Santa Catarina e disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. A movimentação, avalizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, altera o equilíbrio interno do Partido Liberal (PL) no estado e promete redesenhar o cenário político catarinense, hoje sob o comando do governador Jorginho Mello, também do PL.

A presença do filho “02” de Jair Bolsonaro em Santa Catarina é vista como parte de uma estratégia nacional do partido para consolidar o bolsonarismo em redutos do Sul, onde o ex-presidente mantém índices expressivos de aprovação. Em 2022, Bolsonaro obteve mais de 69% dos votos válidos no segundo turno no estado, resultado que reforça o potencial eleitoral da família entre os catarinenses.

Nome de fora provoca disputas internas no PL

A eventual candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado já provoca tensões dentro do PL catarinense. Lideranças locais avaliam que a chegada de um nome “de fora” pode interferir em planos de parlamentares do próprio partido que almejam a mesma vaga.

As deputadas federais Carol de Toni e Júlia Zanatta, ambas do PL e próximas ao bolsonarismo, vinham sendo tratadas como possíveis candidatas da sigla antes da movimentação do vereador. O governador Jorginho Mello, presidente estadual do partido, tenta equilibrar o cenário: demonstrou apoio à possível candidatura de Carlos, mas evita anunciar qualquer definição antecipada.

Internamente, há quem veja a operação como uma imposição direta do núcleo político de Jair Bolsonaro, o que desperta resistência entre dirigentes regionais que defendem mais autonomia para o diretório catarinense.

Estratégia nacional e cálculo político

A mudança de Carlos Bolsonaro para Santa Catarina integra um projeto mais amplo de expansão do PL no Congresso. A legenda, que já detém a maior bancada da Câmara, busca fortalecer sua presença no Senado para influenciar pautas alinhadas à direita conservadora.

Além do apelo simbólico do sobrenome Bolsonaro, a escolha por Santa Catarina não é casual. O estado é considerado um dos redutos mais fiéis ao bolsonarismo e possui uma base consolidada de apoiadores organizados. A candidatura do vereador também é vista como uma forma de garantir proteção política à família, ampliando a influência do clã em diferentes regiões do país.

Resistência e rejeição entre eleitores

Pesquisas recentes indicam que a entrada de Carlos Bolsonaro na disputa é viável, mas cercada de desafios. Levantamento do instituto Neokemp, realizado em julho de 2025, mostrou o vereador com 34,7% das intenções de voto para o Senado em Santa Catarina — desempenho expressivo, mas acompanhado de alta rejeição: 52,2% dos entrevistados afirmaram que não votariam em um candidato “de fora do estado”.

Outros cenários, ainda sem a presença de Carlos, apontam Carol de Toni na liderança com 18,5%, seguida por Esperidião Amin (15,9%) e Décio Lima (15,4%). A entrada do filho do ex-presidente, portanto, tende a reconfigurar as alianças e dispersar o voto da direita.

Efeitos sobre a reeleição de Jorginho Mello

A movimentação de Carlos Bolsonaro repercute diretamente na tentativa de reeleição do governador Jorginho Mello. Aliado de longa data do ex-presidente, Mello enxerga a candidatura como uma oportunidade de fortalecer o PL catarinense e consolidar uma bancada alinhada ao seu projeto político.

Por outro lado, parte de sua base teme que a chegada de Carlos intensifique divisões internas e gere desgaste entre os eleitores que preferem nomes locais. O governador, contudo, mantém índices altos de aprovação: pesquisa do instituto Futura Inteligência, divulgada em setembro, mostrou que 71,8% dos catarinenses aprovam sua gestão, contra 23% de desaprovação.

Analistas avaliam que o apoio a Carlos pode fortalecer Jorginho junto ao eleitorado bolsonarista, mas também o expõe a críticas caso a estratégia seja percebida como uma tentativa de impor candidaturas externas ao estado.

Caminho ainda em construção

A transferência de domicílio eleitoral de Carlos Bolsonaro ainda não foi oficializada, mas aliados próximos afirmam que a decisão está tomada. O processo deverá ocorrer dentro do prazo legal para registro de candidaturas, previsto para 2026.

Enquanto isso, o PL catarinense tenta se reorganizar diante do novo cenário. O partido precisará definir como acomodar os diferentes grupos internos e evitar rachas que possam comprometer o desempenho nas urnas.

A eventual candidatura de Carlos Bolsonaro representa, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um risco. Se consolidada, poderá ampliar a presença bolsonarista no Senado e reforçar o poder do PL no Sul. Mas, se a rejeição ao “candidato importado” prevalecer, o movimento pode ter efeito inverso — enfraquecendo a unidade do partido e ameaçando a hegemonia que hoje sustenta o governador Jorginho Mello.



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