Saúde – Tribuna do Dia https://tribunadodia.com.br Seu portal de notícias na internet Tue, 11 Nov 2025 23:37:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 A importância da NR-1 na construção civil https://tribunadodia.com.br/a-importancia-da-nr-1-na-construcao-civil/ Tue, 11 Nov 2025 23:33:27 +0000 https://tribunadodia.com.br/?p=3932 Por Sandra Campos

A NR-1 surge em um momento extremamente importante para os trabalhadores da construção civil, principalmente no que diz respeito à prevenção e ao cuidado com os riscos psicossociais. Muitos desses trabalhadores são pessoas vindas do Norte e Nordeste, que chegam a São Paulo sozinhas, em busca de oportunidades, sem família por perto e, muitas vezes, sem um lugar fixo para morar. Muitos chegam apenas com o dinheiro da passagem e encontram na construção civil um meio de sobrevivência — e, quando há alojamento, também um abrigo.

Mas, junto desse recomeço, chega a solidão. E, com ela, a tristeza, a saudade e o cansaço emocional. Para tentar aliviar esses sentimentos, muitos começam a beber socialmente. Com o tempo, o hábito vira dependência, e alguns acabam também se envolvendo com drogas.

Depois de algum tempo trabalhando, muitos conseguem alugar uma casa, constroem relacionamentos e formam suas famílias. Porém, nem sempre há preparo emocional para essa fase. Quando a parceira engravida e precisa parar de trabalhar, a renda diminui, o básico começa a faltar, as brigas surgem, a saudade da família distante aumenta e, diante disso, muitos buscam novamente refúgio na bebida. Em alguns casos, surgem os excessos, o afastamento afetivo, o sofrimento silencioso e o desgaste emocional dentro do lar.

Além disso, muitos passam a usar jogos de apostas online como forma de distração. Quando percebem, já perderam o pouco que tinham, acumulam dívidas e mergulham em desespero. E é nesse momento que a depressão aperta. Esse sofrimento impacta diretamente o desempenho no trabalho, podendo levar ao afastamento e, em situações mais graves, à perda do sentido da vida. Por isso, é fundamental perguntar: o que podemos fazer para ajudar?

É necessário promover palestras de conscientização, fortalecendo o valor da família, mostrando ao trabalhador sua importância no lar e como seu exemplo influencia diretamente seus filhos. É preciso alertar para os riscos do álcool, das drogas e dos jogos, que podem destruir sonhos, famílias e vidas inteiras.

A NR-1 foi criada justamente para isso: para cuidar da saúde mental dos trabalhadores, promover acolhimento, orientação e prevenção. Ela é válida para todas as empresas do país, incluindo órgãos públicos. O Brasil enfrenta hoje a maior crise de saúde mental dos últimos dez anos. Em 2024, quase meio milhão de pessoas foram afastadas de seus empregos por ansiedade e depressão. Essas doenças são multifatoriais: resultam da pressão financeira, da pós-pandemia, do desemprego, da sobrecarga, do alcoolismo, do fim de relacionamentos e do estresse no trabalho. Esse cenário é grave, e o poder público precisa investir em atendimento psicológico e psiquiátrico, pois não podemos colocar essa responsabilidade apenas nas empresas.

Escrevo este texto como mãe que perdeu um filho por suicídio aos 24 anos. Sei, de forma profunda, a dor que isso causa. Minha luta hoje é para que outras vidas sejam preservadas.

Sandra Campos, palestrante e ativista pela vida – se você estiver sofrendo, fale comigo: (11) 94813-7799

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O drama das mães atípicas e o suicídio https://tribunadodia.com.br/o-drama-das-maes-atipicas-e-o-suicidio/ Tue, 09 Sep 2025 00:54:50 +0000 https://tribunadodia.com.br/?p=443 Por Sandra Campos

Toda mulher que sonha em ser mãe se prepara com carinho: são nove meses de expectativa, a escolha das roupinhas, o preparo do quartinho e a aceitação das transformações do próprio corpo, vividas com amor e esperança. O sonho parece tomar forma quando o bebê chega ao mundo. Mas, em alguns casos, essa mãe descobre que seu filho não será apenas uma criança a ser guiada até a autonomia, e sim um ser eternamente dependente dela para as necessidades mais básicas da vida. E, ainda assim, ela o ama incondicionalmente, protegendo-o dos males do mundo.

Com o tempo, porém, a realidade da maternidade atípica revela que não se trata apenas de amor. Trata-se também de noites sem dormir, de consultas médicas intermináveis, de olhares de julgamento, de portas que se fecham e de uma solidão que só quem vive pode compreender. O filho cresce, mas as demandas crescem junto com ele. Não é apenas cuidar: é lutar diariamente contra um sistema que não acolhe, contra escolas despreparadas, contra a falta de inclusão no trabalho e contra o medo angustiante de quem estará ao lado dele quando ela não puder mais estar.

Muitas vezes, essa luta é solitária. Foi o caso da inglesa **Shirley Nunn**, de 67 anos, que cuidou sozinha do filho **Steven**, de 50, após perder o marido para o câncer. Quando Steven tinha apenas 11 anos, sofreu um acidente que lhe causou graves danos cerebrais. Ele foi diagnosticado com paralisia cerebral e epilepsia, além de enfrentar dificuldades de aprendizagem, problemas de mobilidade e controle emocional, o que o tornou incapaz de viver de forma independente.

Tudo que Steven tinha era sua mãe. Mesmo após ser diagnosticada com câncer terminal, Shirley continuou cuidando dele com dedicação. Porém, quando a doença se espalhou para o cérebro, a coluna e a pelve, ela foi liberada para passar seus últimos dias em casa. Mais do que sua própria saúde debilitada, sua maior angústia era: Quem cuidará de Steven quando eu não estiver mais aqui? No auge do desespero, Shirley tomou a decisão mais dolorosa: tirou a própria vida e a do filho. Não por falta de amor, mas justamente por amor — pelo pavor de vê-lo abandonado à própria sorte. Até onde vai o amor e o desespero de uma mãe sem apoio do poder público? Quantas “Shirleys” estão vivendo esse dilema neste exato momento?

Neste Setembro Amarelo, uma campanha mundialmente conhecida, quando  o mês de setembro é dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio, urge  falar sobre isso. Segundo a psicóloga Ana Carolina Sampaio, mães atípicas vivem sob estresse contínuo, marcado pela incerteza do futuro dos filhos. A sobrecarga, a solidão e o medo de não estar mais presente adoecem profundamente — embora raramente apareçam nas fotos sorridentes das redes sociais.

Dados da National Alliance for Caregiving (instituição localizada em Washigton D.C.) revelam que mais de 60% dos cuidadores familiares relatam sintomas de ansiedade e depressão, muitos deles em silêncio, sem pedir ajuda. É necessário oferecer redes de apoio e construir políticas públicas que garantam que nenhuma mãe precise escolher entre amor e desespero.

Infelizmente, o tema do suicídio ganha visibilidade apenas em setembro. Mas a dor não tem data. Eu sei disso de perto: perdi meu filho, Diego Wendell, aos 24 anos, para o suicídio. Talvez, se eu tivesse tido mais conhecimento sobre essa epidemia silenciosa, pudesse ter feito algo.

Sandra Campos é empresária e ativista pela vida – Instagram: @sandracamposaaa

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Brasil enfrenta aumento expressivo de casos de burnout https://tribunadodia.com.br/brasil-enfrenta-aumento-expressivo-de-casos-de-burnout/ Tue, 09 Sep 2025 00:53:04 +0000 https://tribunadodia.com.br/?p=409 Nos últimos anos, o Brasil tem observado um crescimento significativo nos afastamentos laborais devido à síndrome de burnout, com um aumento de quase 1000% em uma década. Especialistas apontam três fatores principais para esse crescimento:

  • Maior conscientização: O reconhecimento do burnout como uma síndrome ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aumentou a compreensão pública sobre transtornos relacionados ao trabalho.
  • Aumento da pressão profissional: A intensificação das cobranças no ambiente de trabalho tem levado a níveis elevados de estresse, contribuindo para o desenvolvimento de transtornos como o burnout.
  • Desafios no diagnóstico: Há dificuldades em distinguir o burnout de outros transtornos mentais relacionados ao trabalho, o que pode influenciar nas estatísticas e no tratamento adequado.

Atualmente, estima-se que cerca de 40% da população economicamente ativa no país sofra de burnout, segundo Alexandrina Meleiro, médica psiquiatra e porta-voz da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT). No entanto, nem todos os casos são devidamente identificados.

As estatísticas oficiais do Ministério da Previdência Social contabilizam apenas os afastamentos superiores a 15 dias, o que pode subestimar a real dimensão do problema. Além disso, conforme destaca Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) exige que o médico comprove a relação direta entre o trabalho e o esgotamento profissional para diagnosticar o burnout. Isso implica que, para um diagnóstico preciso, o psiquiatra deve visitar o local de trabalho e estabelecer um nexo causal, não sendo suficiente apenas o atendimento em consultório.

Para enfrentar essa crescente preocupação, é essencial que empresas e profissionais adotem medidas preventivas e promovam ambientes de trabalho saudáveis, visando à saúde mental e ao bem-estar dos trabalhadores.

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