Ciclone extratropical aumenta risco de temporais em Santa Catarina; sexta-feira será o dia mais crítico
Instabilidades começam nesta quarta-feira e avançam pelo Estado; previsão indica possibilidade de granizo, rajadas fortes, chuva intensa e tempestades severas isoladas
Santa Catarina entra em uma sequência de dias de tempo instável devido à formação de um ciclone extratropical na costa da Região Sul. A previsão meteorológica indica possibilidade de temporais, granizo, raios, chuva intensa e rajadas de vento em diferentes áreas do Estado. O cenário deve se intensificar principalmente entre quinta-feira (10) e sexta-feira (11), quando o sistema estará em processo de formação.
A instabilidade, porém, começa antes da formação do ciclone. Nesta quarta-feira (9), áreas próximas à divisa com o Paraná já podem registrar temporais, com avanço das condições adversas para outras regiões catarinenses ao longo do dia.
A Epagri/Ciram considera que existe possibilidade de tempestades severas isoladas. Para ser classificada dessa maneira, uma tempestade precisa apresentar vento superior a 90 km/h, granizo com pelo menos 2,5 centímetros de diâmetro ou ocorrência de tornado ou tromba d’água.
Instabilidade aumenta até sexta-feira
De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, praticamente todo o Estado está sujeito a raios, rajadas de vento, granizo e chuva pontualmente intensa até sexta-feira.
Os principais impactos previstos incluem alagamentos, danos à rede elétrica, destelhamentos e queda de galhos e árvores. O risco, segundo o órgão, varia de baixo a moderado.
O momento de maior atenção deve ocorrer durante a formação do ciclone, entre quinta e sexta-feira. O sistema se desenvolve na região costeira entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina e, depois de formado, deverá avançar em direção ao oceano entre sexta-feira e sábado (12).
A mudança para o alto-mar tende a reduzir gradualmente a instabilidade sobre Santa Catarina. Depois da passagem do sistema, uma nova massa de ar frio deve provocar queda nas temperaturas.
Veja como o tempo deve evoluir
Quarta-feira (9): uma área de baixa pressão atmosférica, conhecida como cavado, posicionada nas proximidades do Paraguai favorece a formação de temporais durante a madrugada e a manhã no Extremo Oeste, Oeste, Planalto Norte e nas áreas próximas à divisa com o Paraná. Durante o dia, as instabilidades podem avançar para o Vale do Itajaí e a Grande Florianópolis.
Quinta-feira (10): a chuva e os temporais ganham força, principalmente entre o Oeste e o Norte catarinense. Há possibilidade de chuva intensa, descargas elétricas, granizo e ventos superiores a 60 km/h.
Sexta-feira (11): o ciclone extratropical deve se formar na costa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, associado à passagem de uma frente fria. Os temporais podem atingir uma área maior do Estado, com possibilidade de vendavais, granizo e tempestades severas isoladas.
Sábado (12): com o deslocamento do ciclone para o oceano, o tempo tende a ficar mais estável. A nebulosidade ainda pode variar, mas a chegada de uma nova massa de ar frio deve provocar redução das temperaturas.
Oeste e Sul estão entre as áreas de maior atenção
Na quarta-feira, a previsão de temporais abrange o Extremo Oeste, Oeste, Meio-Oeste, Planalto Norte, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis.
Na quinta e na sexta-feira, entretanto, todas as regiões de Santa Catarina podem ser afetadas pelas condições de instabilidade.
A Epagri/Ciram prevê que a sexta-feira concentre os maiores volumes de chuva e condições mais favoráveis para temporais acompanhados de vento forte, raios e granizo. As rajadas podem variar entre 50 km/h e 70 km/h, especialmente entre o Oeste e o Sul do Estado.
Meteorologista alerta para possibilidade de granizo de grande porte
A meteorologista Ana Maria Pereira Nunes, da Meteored, aponta um cenário de atenção para a Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, Oeste de Santa Catarina e Oeste do Paraná.
Segundo a análise baseada no modelo europeu ECMWF, algumas tempestades podem produzir granizo de grande tamanho e em grande quantidade, além de rajadas extremas, microexplosões ou tornados.
Esses fenômenos, contudo, são previstos de maneira localizada. Para Santa Catarina, os órgãos oficiais mantêm a indicação de possibilidade de tempestades severas isoladas e não afirmam que haverá ocorrência de tornados no Estado.
Modelos indicam chuva volumosa
A previsão do ECMWF também aponta para a possibilidade de acumulados superiores a 100 milímetros em 24 horas em áreas do Centro-Sul do Brasil entre quinta-feira e sábado.
Entre o Oeste do Paraná e o Noroeste de Santa Catarina, os volumes podem chegar a aproximadamente 150 milímetros na quinta-feira. Na sexta, a possibilidade de chuva volumosa se espalha por Santa Catarina e Paraná.
Em determinados pontos do Centro-Sul, o modelo chega a indicar acumulados próximos ou superiores a 300 milímetros até sábado. A meteorologista ressalta, entretanto, que tanto a localização quanto os volumes máximos ainda podem sofrer alterações conforme o ciclone evoluir.
A previsão oficial da Defesa Civil e da Epagri/Ciram para Santa Catarina é mais conservadora e não aponta acumulados próximos de 300 milímetros no Estado. Os boletins destacam chuva pontualmente intensa e volumes mais elevados principalmente entre o Oeste e o Norte catarinense.
O que é um ciclone extratropical?
O ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão atmosférica comum no Sul do Brasil. Ele normalmente se forma associado ao encontro de massas de ar com características diferentes e pode provocar chuva forte, ventos intensos, ressaca e mudanças rápidas de temperatura.
Diferentemente dos ciclones tropicais, que se desenvolvem sobre águas oceânicas quentes, os extratropicais estão relacionados principalmente à dinâmica das massas de ar em regiões de latitudes médias.
Há ainda outros sistemas atmosféricos classificados de acordo com suas características e localização. O ciclone subtropical apresenta características intermediárias entre sistemas tropicais e extratropicais. Já furacão é a denominação utilizada para ciclones tropicais que atingem determinada intensidade em regiões como o Atlântico Norte e o nordeste do Pacífico, enquanto o termo tufão é utilizado para o mesmo tipo de fenômeno no noroeste do Pacífico.
O chamado ciclone bomba, por sua vez, não representa uma categoria específica de ciclone. O termo descreve um processo de intensificação muito rápida de um sistema, associado a uma queda acentuada da pressão atmosférica.
Defesa Civil orienta população durante os temporais
Diante da previsão de instabilidade, a recomendação é evitar permanecer em áreas abertas durante a ocorrência de tempestades.
A Defesa Civil orienta que as pessoas não fiquem próximas de árvores, placas, muros ou postes de energia, devido ao risco de quedas e descargas elétricas.
Também é recomendado não atravessar áreas alagadas, seja a pé ou utilizando veículos, já que a profundidade e a força da água podem representar riscos.
Em situações de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.


